terça-feira, dezembro 30, 2014

Comforting Sounds

São quase 4h da manhã, e eu estou acordado por insônia, pelo calor, pelos mosquitos, e pela cabeça cheia de pensamentos. E ouvindo uma única música praticamente em loop desde ontem, Mew - Comforting Sounds, uma música que nós estávamos escutando há semanas no Clube do Chá e não conseguíamos identificar... até que o salvador e santo Soundhound conseguiu essa proeza.

Essa música me traz sentimentos diversos. Ainda não consegui perceber exatamente o que, mas em conjunto com as 2 últimas leituras que fiz / venho fazendo, estão gerando certas abobrinhas nessa mente sossegada.

Desta vez, sinto que estou para entrar num ciclo diferente. Um ciclo no qual ainda não sei definir exatamente o que é, para onde vai me levar, e se é que eu vou gostar. Ciclo este que não se parece com nada do meu passado recente. Retrocesso? Espero que não.

Quero tantas coisas, e não quero nada ao mesmo tempo. Gosto de estar com as pessoas, e gosto de ficar sozinho e esquecido no meu canto. Gosto de ter muito mais coisas para fazer do que é humanamente possível, e gosto de ficar de preguiça e esquecer todas elas. Neste mar de contradições, ainda busco me reencontrar.

Faz um tempo que não consigo me abrir com ninguém de verdade, no sentido mais amplo e verdadeiro da palavra. Acho que as últimas decepções e rejeições fizeram com que eu me fechasse a um nível não saudável mentalmente. O lugar seguro que acreditava ter encontrado, se perdeu como uma névoa que se torna neblina e encobre todo o campo de visão.

Talvez eu me sinta só, ao olhar ao meu redor, mas não só no sentido amoroso da palavra, como muitas pessoas se sentem. De encontrar a alma gêmea, do relacionamento amoroso, do formar um casal e se tornar um. Claro, sou humano e sinto também falta desta parte. Já fazem alguns bons anos que nada de fato acontece neste campo. Mas digo no sentido amplo: sozinho de ver que o meu mundo só pertence a mim mesmo, e que não o estou compartilhando com ninguém.

O acúmulo de experiências vistas ao meu redor me fazem feliz e me fazem perceber minha insignificância. Tento deixar minha marca na vida de cada pessoa ao meu redor, mas me frusto ao perceber que esta marca é plenamente substituível. Ou facilmente deixada de lado. Ou, pior ainda, desnecessária, incômoda.

Não, não estou em depressão. Ou pelo menos acredito que não. São apenas reflexões de alguém que está com insônia, não tem mais nada pra fazer, se recusa a usar a nova ortografia que abole várias das acentuações existentes anteriormente, e não tem pretensão nenhuma de rever o texto que redige apenas para consultas póstumas.

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