terça-feira, agosto 21, 2018

Velhos Hábitos... #changes

Hoje, é um dia marcante.
Não, isso é pouco. Esse ano, esse ano está sendo um ano completamente diferente.
Mas não diminui o peso desta data. Destas mudanças, desta nova fase, destes novos desafios, e lidar com velhos hábitos... e velhos conflitos.

Passei a viagem inteira de volta para casa com uma ânsia por escrever, ânsia pra contar pra alguém, ânsia pra deixar registrado este sentimento interno há muito tempo esquecido. São muitas emoções, muitas sensações, e que fazia tempos que eu não tinha que lidar de fato. Fuga, covardia, simplicidade na vida, encarar de frente, são várias formas que podemos nomear ou descrever a mesma coisa.

Deveria ser um dia feliz, sim, com toda certeza. Só tenho motivos pra comemorar. Estou buscando uma independência, e conquistando-a de tal forma, que não tem como não ficar feliz por mim mesmo. Adoro o que faço, adoro quem conheci, adoro aqueles que estão ao meu redor, adoro o que conquistei e me encanto de ver o caminho e mar de possibilidades que se abre à minha frente. Aprendi, com o passar desses 33 anos, a me entender, a me conhecer, a me querer bem e me amar, acima de tudo. Mas ainda não aprendi a lidar com algo muito simples: a rejeição daquele sentimento que acredito que eu possa dar de melhor. Carinho, afeto, elogios, gostar, amar. Palavras fortes, que tem uma certa correlação e evolução entre si.

Há bastante tempo venho guardando a sete chaves esses sentimentos. De vez em quando ele tentou aflorar nesses últimos anos. Todos repreendidos com sucesso, por assim dizer, numa visão otimista de copo cheio. Cada um foi diferente, cada um ao seu modo, cada um com sua particularidade que guardo aqui dentro. Nomes de ramens.

Desta vez não. Foi algo diferente. Algo muito menos concreto, muito mais subjetivo, muito menos esperançoso, muito mais intenso. É difícil explicar, pois nem eu mesmo sei, ao certo, como as coisas se deram. Só sei que foi assim, como diria um bom personagem de um bom filme. A decepção vem quando criamos expectativas erradas sobre as pessoas. Sei que o problema, nesse caso, é meu e só meu, e não quero dar crédito a mais ninguém além de mim mesmo sobre isso. Mas ainda assim, apesar desse aperto, dessa quase tristeza, dessa angústia intensa, quero deliciar esse momento, só meu.

É difícil explicar, como já disse. É bom, e ruim, ao mesmo tempo, tudo junto e misturado. É difícil pensar, é difícil raciocinar, é difícil construir, inclusive, uma linha de raciocínio. Quero te dizer tantas coisas, mas TANTAS coisas, que não saberia nem por onde começar.

Existem sinais. Existiram, e possivelmente vão existir. Nada é certo. A probabilidade é terrível, cruel e incerta. O Gato de Schrödinger é uma desgraça, porque martela na minha cabeça a todo momento. E a chance para o qual estava me preparando psicologicamente... obviamente não fluiu como o esperado.

Vou buscando oportunidades. Vou construindo chances. A maioria delas perdidas. A maioria. Se fossem todas, também já seria um alívio, um relento, uma certeza do que não poderia nunca ser. Mas e se fosse? A cada fagulha que alimenta essa chama, ela se torna forte, alta, e fugaz. Some como o brilho de uma supernova, que explode gigantemente, e some para uma eternidade.

Esta noite tive insônia. Insônia daquelas fortes. Podia ser de ansiedade. Por muitas coisas. Mas o fato é que tinha um único pensamento: em você. Não queria, não planejava, não desejava. Queria minha paz, queria me concentrar naquilo que me propus para este ano. Estudo, certificações, treinos, amigos, independência. Mas não, o pensamento tinha que ser apenas você. Construindo e reconstruindo ideias, sentimentos, sensações. Algo que implode meu peito, aperta com força, desorganiza e reorganiza tudo aqui dentro, e não deixa espaço pra mais nada.

Há tempos eu não me sentia assim, há MUITO tempo. É bom, é gostoso, é acalentador, é motivador, mas dói, tira meu sono, tira minha paz, tira minha essência. Esse turbilhão de sentimentos sem sentido, e que eu só queria manter guardado na caixinha do meu peito, lá no fundo, e não precisar abrir nunca mais. Ah, mas ele se abre sozinho, safado!

Ainda mais hoje, quando numa pequena roda de bar, esse assunto vem a tona, e transforma em palavras sentimentos e sensações que eu só deixava na subjetividade. Externalizar essas sensações torna tudo muito mais intenso. E eu não estou sabendo lidar com isso. Não mais.

Hoje é o dia que peguei as chaves do apartamento. Hoje é um dia pra comemorar. Só que não quero. Não hoje. Hoje quero ressuscitar velhos hábitos. Como naqueles tempos em que eu afogava minhas lágrimas no travesseiro. De alegria, de amor, de completude, de vazio e de tristeza.

Nenhum comentário: