quinta-feira, dezembro 20, 2007

Nem Parece Banco - Parte II

Nobody wanna see us together... *warning: post longo e chato, totalmente desabafo*
Hoje no banco atingi meu limite. Me estressei, chorei, quase gritei no meio do povo, e só não dei uma em quem olhava pra mim, porque a maioria lá ou são mulheres, ou os seguranças 4x4. Mas não que eu conseguisse bater nas mulheres... elas também bateriam em mim. Fácil.

O ponto é: EU ODEIO AMEAÇAS. Eu tenho um problema: no trabalho sou sincero e honesto, e sob pressão dou respostas que não são necessariamente verdades. Sob pressão sou fraco, perco a moral, fico fragilizado e vulnerável. É por isso que gosto de jogo aberto, e não de ameaças. Muito menos de ameaças indiretas.

Vou dar nomes aos bois. Com a Fabi, minha antiga chefe, o jogo era simples e claro: me entregue resultados. Eu entregava. Eu vacilava em alguns pontos, como atraso, e ela me cobrava por isso. Tirava sim do meu salário cada minuto atrasado, me chamava pro canto se ocorresse várias vezes em seguida, enfim. Eu também jogava aberto com ela, a respeitava e respeito muito, a admiro muito principalmente profissionalmente falando. Eu gosto disso, dessa transparência, sou inexperiente, preciso de orientações, sou comprometido até o ponto que eu ache que valha a pena.

Contudo, desde setembro estou com uma nova chefe. Já desde antes eu tinha receio, pois ouvia os comentários do ocorrido com a antiga equipe dela, nada agradáveis. (privilégios, protecionismos, baba-ovices... essas coisas que devem ter em QUALQUER empresa). Contudo, eu fui levando, mas alguns acontecimentos dentro do banco me fizeram perder a crença de que aquele lugar valesse a pena.

Um dos causos: o causo da Rô. Ela é a profissional mais capaz que conheci lá dentro. Comprometida, absurdamente capaz e competente, ética e humana, e porra loca. E infelizmente, apenas por esse último detalhe, ela não consegue uma promoção lá dentro. Nos últimos meses, ela fez um processo seletivo para Monitoria de Qualidade, que era uma promoção efetiva, e era algo que ela queria. Detalhe: ela já fazia monitoria para toda a coordenação, composta por aproximadamente 7 supervisores. Todos a reconheciam e sua capacidade. Ela passou por todas as etapas, chegou até a etapa final, que era entrevista com gestor da área. Houve MUITOS aprovados, cerca de 10. Não, ela não foi aprovada. Mas uma pessoa, que eu não conheço, mas que era dos Primeiros Passos (isso significa: menos de 6 meses de banco, e menos de 4 no atendimento), passou. Alguma dessas 10 pessoas era mais capaz do que a Rô? Eu sinceramente DUVIDO.

Desde então, entre outros causos, decidi priorizar uma coisa enquanto me mantivesse dentro do Unibanco: a minha saúde. Estava chegando num ponto em que eu estava pirando, tamanho nível de stress, já me recusava veementemente a atender telefone em casa, evitava ao máximo esse tipo de contato, além de variações mais intensas de humor... para pior. Não quero ter que me tratar com médico, fazer exames psicológicos, ser afastado pelo INSS, nada disso. Quero estar bem, saudável, curtir minha vida e trabalhar honestamente.

Então adotei algumas medidas. A principal delas, foi fazer pausas durante o horário de atendimento o quanto fosse necessário para eu manter minha sanidade. (para ter uma base, a meta de aderência é 93% do tempo de trabalho sem pausas... nessas primeiras semanas, minha aderência beirava os 70%. Ultimamente, tem ficado nos 80%). Hoje em dia, faço apenas pausas-banheiro junto com as pausas-descanso dos outros, e algumas diversas pequenas pausas sistêmicas durante o dia.

Contudo, meu número de atrasos aumentou. Devido à falta de descrença com o banco, só que isso não justifica o modo como tive meu "feedback" hoje.

Minha chefe falou sobre minha postura com o banco, que não estava gostando. Atrasos e pausas em excesso. Falou que acreditava em mim, que sou um profissional capaz, que apostava em mim, mas que se decepcionou. Whatever. Depois, eu expus o meu lado a ela. fui sincero na medida do possível, pois sob pressão fico frágil. E depois, veio os baques.

Primeiro, ela ataca meus amigos. Questiona as amizades que tenho, se elas eram boas, se eram uma boa influência. Para o banco? É, provavelmente não. Para mim? Algo extremamente válido, que carrego aqui dentro. Já perdi várias amizades por motivos bestas, e não pretendo abrir mão daquelas que acredito ter cultivado.
(Nesse interim, ela também falou mal da minha Izuda, a mais doida que conheci no banco. Ainda que hoje não mantenha mais contato com ela... eu não admito que falem mal dela, não se é uma inverdade!)

Depois, ela me faz sutis 'ameaças'. "Eu poderia ter te dado uma carta de advertência por cada dia de atraso, e depois uma suspensão... mas eu não fiz. Só que se você continuar fazendo..." PORRA! JOGA LIMPO! Nesse ponto que adorava a Fabi, se fosse ela provavelmente seria algo: "Marcelinho? *olhando pro relógio*" -> num dia qualquer de atraso. Meu, bastava isso para eu me tocar, e EU me sentia mal. Ficava dias sem me atrasar, até me arriscar a pegar o Breda de novo... xD

E ainda teve as cobranças. Ela espera que, depois de todo o desabafo (disse que estava stressado, já não tinha fôlego, fui sincero e me comprometi a continuar batendo os resultados mais importantes), ela quis não só isso, mas comprometimento de minha parte para com tudo isso e mais um pouco. Atrasos zero (nisso eu concordo :3), aderência na meta (93%? vsf!), que me engaje mais nos projetos da equipe (porra, queria que eu fizesse um trabalho sobre investimentos... não vou e pronto! não tenho mais saco pra isso! nunca pedi por responsabilidades extras que consumam mais tempo do que o horário de trabalho!), e lalala. Porra, se toca!

O bom é que lá me fez abrir os olhos. Talvez não pra eles, mas provei a mim mesmo de que sou capaz. Se eu me interessar, se eu achar que vale a pena, eu corro atrás e aprendo, me desdobro e continuo evoluindo enquanto tiver motivações para tal. Eu, com minha baixa auto-estima, precisava disso. E tem pessoas lá dentro que acreditam em mim, me mostraram que posso acreditar que sou capaz.

Amanhã será um dia importante. Vou definir a data exata do meu desligamento do banco. Já descartei qualquer possibilidade de mudança de área, isso a chefe deixou bem claro: não vai ser possível. Talvez seja amanhã mesmo, talvez só na virada do ano. Whatever. Eu quero é mais.

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