segunda-feira, agosto 01, 2011

Rio Verde

Hoje participei de uma atividade do qual nunca me imaginei participando, uma expedição para tentar recontar, recriar e repensar a importância e o papel dos rios na cidade de São Paulo, e o que eles ainda tentam nos mostrar, mesmo que não estejam mais visíveis nesse complexo de concreto, buzinas e individualismo exacerbados.

Confesso que no começo me senti muito um peixe fora d'água: pessoas envolvidas em projetos sociais, pensadores geográficos, ambientalistas e preservadores, e eu ali no meio, consumista, amante de tecnologia, nerd híbrido e ainda por cima, bancário. E aquilo pra mim não fazia sentido, já que nasci aqui, já envolto por estas muralhas, e já sem me preocupar se o rio deve ser chamado de córrego, corrente fluvial, esgoto ou recurso hídrico. Explicações sobre o musgo da árvore devido a umidade, a raiz que quer sair do chão, o rio que vive... é algo que não faz parte do meu mundo.

Mas andar é algo bom, é algo maravilhoso, que me faz pensar, conversar comigo mesmo, e tirar algo que nem sabia ainda ser capaz de sentir: empatia, e por algo teoricamente inanimado, como o rio. Percorrer aquele caminho, aquela trilha urbana por onde antes passara e fluía um rio, cheio de vida e vontade, seguindo o fluxo natural da topografia paulistana... aquilo foi penetrando (uh!) em mim de uma forma inesperada.

Era como se eu pudesse sentir o Rio Verde fluindo novamente, correndo como se fossem as veias de sangue do meu corpo, correndo um percurso mutável e definido ao mesmo tempo, capaz de contornar obstáculos que pela lógica e física comuns não seriam possíveis transpor. Eram seus anseios de felicidade, por ter quem por ele buscasse reviver e resgatar suas memórias. Era a história buscando ser recontada, recriada, ressurgindo das cinzas ou da tampa de um bueiro, para que as próximas gerações ainda possam sentir algo natural além do artificial. Gritos de dor e de alegria, gritos que percorriam por todas aquelas galerias subterrâneas, e reverberavam e ressonavam por dentre aqueles becos explorados de forma extraordinária...!

Quase poético... e de fato é incrível o poder dessa arte chamada empatia.

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