Sou um cinéfilo, e não sou um cinéfilo. Depende do ponto de vista. Perante meus amigos, só eu me disponho a fazer uma coisa dessas, de praticamente "morar" no cinema por 2 semanas, ver os mais variados filmes com pouquíssimas referências (às vezes nada mais do que uma breve sinopse no guia da Folha). Perante outros muitos malucos desconhecidos a mim que compartilham dessa minha loucura, sou um leigo que está perdido por ali.
Isso me remonta à minha teoria sobre eu ser um ser híbrido, que gosta de muitas coisas, diferentes e variadas, mas sem verdadeira profundidade em nenhuma delas. Meu gosto é um tanto peculiar, e eu sei que não agradaria a outras pessoas tanto quanto me agradou alguns dos filmes. Seja em sua simplicidade, em sua estética, em uma fotografia fora do padrão, em uma visão diferente sobre os relacionamentos humanos. Ou mesmo de porque eu não gostei, assim, sem motivo.
Por isso, este é o evento solitário que eu mais gosto. Não me vejo conseguindo planejar essas 2 semanas de Mostra de Cinema ao lado de alguém, o tempo todo. Alguns filmes podem ser que coincidam, e é sempre muito melhor ver acompanhado. Mas a Mostra é um caso à parte, algo muito introspectivo, que varia de pessoa pra pessoa. Tenho necessidades e lacunas que, de certa forma, procuro na arte, nos filmes, nas músicas e nas séries preencher. E por que não, na cultura do mundo que me chega de forma mais acessível e condensada e numa linguagem que eu admiro muito, que é o cinema?
Me esforço pra tentar compreender o desconhecido, o estranho e o fora do meu mundo. Tentar fazer parte daquilo que eu nunca farei, pela distância, pela dificuldade, ou por falta de interesse mesmo. Apenas absorver essa fagulha de realidade que as lentes de uma câmera conseguem captar, sob a perspectiva que o diretor quis passar, e dadas as limitações técnicas da produção, ou artísticas. Ah, que paixão!
Correr feito um louco entre uma sessão e outra, arranjar tempo para comer alguma coisa, e o meu "pequeno" copo de café. Planejar de 1 a 4 dias de antecedência, não só os filmes, mas também horários e percursos que terão que ser feitos. E saber o que é essencial, e o que é permitido perder, por motivos de força maior, sair dessa fantasia que é o mundo do cinema, e viver a vida como ela é.
Amo, amo demais, e queria ter descoberto ainda antes esse mundo, e vivenciado e experimentado muito mais. Hoje/amanhã serão as 2 últimas sessões que eu verei desta Mostra, e já me bate uma saudade, uma tristeza e um vazio, um gostinho de quero mais. Ainda bem que as férias do trabalho não acabam imediatamente, pois seria um baque voltar ao trabalho tão logo acabe esse sonho.
quinta-feira, novembro 03, 2011
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