Não há dor que dure para sempre. Não há alegrias, tristezas, ódio, angústia, paixão... nada, nada que seja eterno. Salvo as exceções, claro, e todos achamos que encontramos estas enquanto as vivenciamos.
Há algumas semanas, li algum artigo sobre nossas memórias. Que elas podem ser mutáveis, ou seja, com o passar do tempo, acreditamos que aquele abacaxi que era amarelo, passou a ser laranja, ganhou tonalidades de vermelho, até virar uma combinação maluca de degradê com luz negra. E pro outro, que viu o mesmo abacaxi, esse simplesmente deixou de existir, e virou uma maçã. Sem caroço e sem semente.
É incrível como eu era bobo. Acreditava que a dor jamais ia passar. Acreditar que, sem aquilo que me elevava aos céus, nada mais faria sentido. É incrível como com o passar do tempo, não só amadureci, tenho mais consciência do que quero e do que desejo, e não saio em busca às cegas daquilo que não preciso. É incrível como ainda, apesar de tudo, do jeito que sou, cético até dizer chega, ainda consigo me perder nas minhas bobeiras diárias e nas pequenas coisas que fazem da minha vida algo especial para mim, e só para mim, pois eu sou o personagem mais importante dela, afinal, quem mais poderia sê-lo por mim?
Nas pequenas besteiras em que me perco em pensamento, e às vezes compartilho com quem está disposto a ouvir, e jogar conversa fora nas amenidades da vida. Essas pequenas besteiras que alimentam minha alma como nenhum rodízio de comida farta e abundante é capaz. São essas pequenas besteiras que me tornam isso que sou, impulsivo, cético, bobo, pilantra, apaixonado e racional. Tão antagonista e híbrido, tão estranho e peculiar, tão comum e apagado.
Um colo e um cafuné. Um lugar para chamar de meu. Alguém para compartilhar. Alguém para contar a história de minha vida. Jamais, jamais esquecer. Meet me in Montauk.
quarta-feira, abril 25, 2012
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