Estou de férias, o ano já está acabando, e faz um bom tempo que não escrevo nada. Não é por falta do que ter a contar, a escrever, a registrar nesse pseudo-diário, esse mar de pensamentos aleatórios e que, por diversas vezes, tendo erroneamente a guardar dentro de mim.
A vida vai bem, obrigado. Ao contrário das estatísticas, de algumas pessoas ao meu redor, do universo e tudo mais, estou satisfeito com meu trabalho e com o meu trabalho. Talvez pelas pessoas incríveis que conheci por lá. Talvez pelas marcas que pude deixar, em tão pouco tempo, que é como se eu já estivesse lá há anos, mas ainda não completei o primeiro. Talvez fruto de uma trajetória sem pé nem cabeça. Talvez resultado de minhas próprias conquistas. Talvez uma série de sucessões randômicas, caóticas e sem fundamentos, mas que chegaram aonde chegaram. Ou aonde cheguei.
O ano começou mal. Com certeza, começou muito mal, sobre um assunto do qual ainda não sinto plenamente confortável para dizer abertamente ao mundo. E depois foi ganhando forma, e acabou sendo um ano incrível, em vários aspectos. Celebrei as velhas amizades, como há tempos não conseguia. Celebrei e vivenciei, curti ao máximo os tempos que me foram permitidos. E sinto falta, uma saudade gostosa, deste tempo que sei que não voltará, nem é para voltar. Temos que buscar novos ares, novas experiências, novas conquistas, novos rumos.
Aprendi muito esse ano, mesmo sem ler muito. Pratiquei muito, mesmo sem ter tido novas experiências. Comi demais, mesmo sem ter experimentado tantos lugares novos quanto já fiz no passado. Me dei ao luxo de não fazer nada sempre que quis, ou sempre que não havia nada pra fazer. Aceitei ajudas, neguei outras, participei de várias, e atualmente estou em busca. Mas em busca exatamente do quê?
Quando penso em "novas temporadas" (um termo carinhoso para novos relacionamentos amorosos), dá um frio na barriga. Penso em um turbilhão de coisas, mas me vêm a mente um vídeo da Jout Jout, em que ela fala sobre relacionamentos, e sobre a peneira que cada um de nós temos. O conceito é simples: todos temos coisas que aceitamos, que adoramos, que odiamos, e que nos completa. A pessoa que fica na peneira é aquele conjunto de coisas que, apesar de todos os defeitos, e com todas as suas qualidades e características, fica na nossa peneira. A minha está bem maluca.
Tenho muita convicção do que quero. Mas mais do que quero, é do que eu não quero. Não quero me privar dessa "liberdade", ou dessa falsa liberdade que hoje tenho. Não quero ter que pedir para pode fazer aquilo que quero, com quem quero, a hora que quero. Não estou dizendo que quero ser um espírito livre, que sairá viajando e que só deixará um bilhete avisando que "Fui!". Mas também não quero ouvir sermões de qualquer espécie.
Não quero alguém com quem não consiga conversar. E conversar mesmo, sobre qualquer coisa. Tem gente que acha que discutir é ruim, falar sobre coisas diferentes com pontos de vistas diferentes. Eu acho isso enriquecedor. Gosto de quem pensa diferente, de quem ARGUMENTA diferente. Claro, discutir com propriedade, conversar e trocar idéias, não só bater o pé e achar que "ganha" a discussão quem grita mais alto. Gosto de crescer ouvindo outros pontos de vista, sem ser extremista ou babaca de querer ganhar todas as discussões.
Porém tenho preguiça. Preguiça de conhecer novas pessoas. Começar tudo do zero. Nome, o que faz, o que estudou, o que gosta? Filmes, séries, música, netflix? Cerveja, chá, café? Jogos eletrônicos e tabuleiro? Amigos, amigas, oi, olá? Tenho preguiça de sair à caça, de ir em bares com esse fim, de ir em baladas com esse fim. Saio para encontrar amigos. Vou a bares para conversar com amigos. E nas raras vezes em que vou pra balada, gosto mais é de dançar e beber, não necessariamente nessa ordem.
Tenho medo também. Medo da rejeição, medo do mico, medo social, medo de parecer um incômodo, medo de ser ridículo. Apenas medo, apenas receio. Não é daquele que vem na espinha da alma, que nem quando vi O Grito, mas é um medo instintivo, que ainda não consegui superar, por simples falta de prática. Talvez seja bom em relacionamentos sociais forçados, como trabalho e estudo, mas nesses acontecimentos do dia-a-dia, espontâneos e momentâneos, esses ainda não sou.
Talvez seja pela zona de conforto. Estou extremamente confortável da forma que estou. Claro, sinto falta de alguém para contar a história ao meu lado, mas olhando pelo âmbito geral, está tudo bem. Tenho um trabalho que gosto, consigo controlar bem minhas finanças, tenho tempo para fazer as pequenas coisas que gosto de fazer, tenho tempo para assistir a séries e filmes que gosto de ver, tenho tempo e dinheiro para comer nos lugares que quero. Não me falta praticamente nada, não me sinto incompleto, sou feliz comigo mesmo e sou feliz do jeito que sou. E ainda assim falta algo. Falta aquele fogo, aquela sensação, aquele furor que já senti, e sei como é. Que faz a gente cometer loucuras, fazer o impensável, pensar fora da caixa, buscar novas emoções, novas conquistas, novos objetivos, uma nova vida.
*em tempo: ouvi umas 5x essa nova música da Adele*
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