Não estou no meu melhor momento. Socialmente falando. Não sei se é o clima de final de ano. Nesta época, as pessoas costumam se agitar, se animar, fazer planos, querer estar com a família e os amigos. Acredito eu, estranho do jeito que sou, não ter mais essa vontade. Confesso que já a tive no passado, refletindo e buscando nas memórias, mas fato é que hoje, nessa época, neste mês de dezembro, me bate um desânimo...
Talvez seja pelo ocorrido desta sexta. Foi estranhamente perturbador. Era pra ter sido apenas mais um rolê de bar, mais um encontro de amigos, mais desabafo sobre o trabalho, e mais descarrego desse nosso stress diário. Mas não, não parou por aí. E aí é que fica estranho.
Para algumas pessoas, seria normal. Até para mim, até um dia antes do ocorrido, acreditaria ser normal. Uma pessoa razoavelmente interessante, sem grandes problemas que a impedissem de ficar na "peneira", sem ainda aquele inconveniente de estar no mesmo ambiente de trabalho. Por que não?
O fato é que devia ter sido não. Devia ter ido embora. Devia ter ido no Noitão. Devia ter ido para qualquer lugar, sozinho. Mas não o fiz. Queria ver aonde aquilo ia dar. Queria comprovar aquilo que já estava na cara há muito tempo.
Comprovou. Aconteceu. Não foi legal. Mas não foi ruim. Foi estranho. Aquela sensação de, queria ter feito isso, mas não com você. Queria muito estar agora, nos braços, no colo, dando e recebendo cafuné, mas não com você. É aquilo que chamam de "rolar a química"?
Ruim foi minhas reações solitárias e egoístas depois. De repulsão. De reprovação. De achar que, realmente, não devia ter feito aquilo. Como se tivesse traído alguém. Mas quem? Estou solteiro e desimpedido! Ainda assim, foi uma sensação ruim. Que se agravou conforme ia dando forma a esses pensamentos: quebrei uma barreira que não devia.
Eu tinha minha zona de conforto. Um lugar para o qual retornar. Um lugar para o qual ir, sem compromisso, e encontrar pessoas que quero bem e desejo o bem, apesar de todas as nossas diferenças. Mas quando algo acontece, em um grupo tão heterogêneo, e o que nos une não é tanto os interesses em comum e afinidade, e sim uma certa sessão descarrego pós-trabalho, este lugar pode se romper.
O medo de perder me toma e é muito maior do que a solidão da ausência de um relacionamento. É uma sensação similar a que tive há 7 anos atrás, com a diferença de que naquela época teria valido a pena arriscar. Desta vez não. Não era ela quem rondava meus pensamentos, e não era seu nome que saía em minhas confissões. Meu pensamento e meu desejo ronda forte alguém próximo, mas não era ela.
Então porque? Quando um não quer, dois não fazem. O sentimento de culpa fica flutuando a minha volta, mas não há culpa. Ambos os lados estão desimpedidos. Só que... eu simplesmente não queria. Não de verdade. Quero as borboletas no estômago.
segunda-feira, dezembro 14, 2015
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