quinta-feira, agosto 29, 2019

Precificação

Nesta quarta típica de um outono/inverno maluco de SP, passei uma tarde com a Ju, uma amiga de longa data, ouvindo histórias, reminiscências, angústias, medos, dando suporte, dando opiniões, expondo posições, e ensinando sobre precificação.

E é sobre isso que quero deixar aqui registrado. Precificação.

Atualmente, minhas expectativas estão a zero, sobre um assunto específico. Sim, é você. Expectativas zero não significa que eu não goste de você. Continuo apaixonado, da mesma forma ou até mais do que quando tive aquele crash emocional.  A diferença é que não espero nada mais disso. Tudo que vier é lucro.

Expectativa não é volatilidade. A cada vez que saio contigo, a volatilidade aumenta, o desejo toma forma, a vontade de querer saber mais, ouvir mais, abraçar mais, só vem e vai a níveis insanos. Felizmente, ou infelizmente, até agora você tem ficado em todos os fios e peneiras que essa mente maluca teima em traçar.

As poucas coisas que me incomodam, não chegam a ser fios na minha peneira. São coisas latentes à existência humana. Você não responder. Você responder monossilabicamente. Você dar respostas incompletas e insuficientes.

Venho praticando um exercício contínuo. O de me expressar ao máximo, jogando aberto, franco, sem esconder. Isso exige um esforço de minha parte: não é natural jogar tão aberto. Abre uma porta de vulnerabilidade, que normalmente me incomodaria. Mas neste caso, nesta minha relação maluca com você, parece não incomodar. Parece trazer alívio.

Porque não tenho mais nada a perder. Nunca tive, porque como já disse, nunca tive. E se eu ser verdadeiro fizer com que você afaste de mim, tudo bem. E só o que quero é tentar te respeitar, respeitar o seu espaço, assim como me respeitar. Me faz um bem danado estar ao seu lado. Ouvir suas opiniões, curtir o que gostamos em comum juntos, ficar perto de você sentindo seu cheiro, falar sobre tudo que quero e aprendi e sinto desse mundo. Tudo isso me faz bem. O que não me faz bem é você não me contar as coisas. É você não conversar comigo. É você me tratar com indiferença.

E jogo na lata. Se você quiser fazer tudo isso, não me contar, não conversar, ser indiferente, é um direito seu. Todo seu. Só me diga, só me conte, não espere que eu adivinhe. Vou respeitar, vou te dar esse espaço, e vou buscar fazer do meu tempo o melhor para as pessoas que querem receber este tempo. Precificar: saber, no longo prazo, onde isso vai dar.

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