Vou soar meio repetitivo, porque eu já devo ter dito isso por aqui antes. Mas foda-se.
Não sei se esse sentimento era unilateral. Acredito que não, que era uma via de mão dupla. Eu, pelo menos, há muito tempo tinha a sensação que podia confiar plenamente em você. Que muitas vezes, apesar de todo o meu modo complicado de pensar, de falar, me expressar, você me entendia, porque eu sei que eu tenho uma linha de raciocínio por vezes desconexa. Que compartilhávamos de gostos parecidos, exceto na música, e que assunto pra jogar fora nunca faltava. Podíamos conversar sobre qualquer coisa, desde piadas ruins a problemas pessoais; seriados, games, animes, ou quem não gostasse disso; apenas passar um tempo junto falando sobre o que vier na mente.
Você era essa pessoa que eu sabia que podia deixar minha vida em suas mãos, e que você a guiaria conforme o que você realmente achasse melhor. Não digo que seria o certo, nem o errado, mas que seria o que a sua decisão, sua vontade determinasse. Você sabia quando me dar bronca, sabia que podia contar comigo, pois apesar de não ter a solução para todas as coisas da vida (e na verdade não teria para a maioria delas), seria alguém capaz de ouvir, e tentar buscar uma solução juntos.
Você era a pessoa mais importante da minha vida. A pessoa que me fazia sentir completo, uno com esse mundo louco que nos cerca. Que me preocupava, me alegrava, me irritava, me fascinava como ninguém. Era uma amizade sem tamanho, daquelas que a gente tem que se dar por sortudo, mas muita sorte mesmo, de ter conseguido isso uma única vez na vida. Eu compararia isso a algo como ganhar na mega-sena. Essa nossa amizade era a coisa que eu mais valorizava, dentre todas as coisas que eu conquistei nessa vida, pois eu sei que como essa eu nunca mais vou ter. Nem essa própria amizade, pois essa eu sei que eu já perdi.
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